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Judicialização da greve pode marcar um novo capítulo na política local 

A greve dos professores da rede municipal de ensino chegou a 52 dias. Ainda não havia previsão de término, até a determinação judicial de retorno às aulas nesta quinta, dia 13, inclusive com a aplicação de multa ao Sindiserpum em caso de descumprimento. 

O possível encerramento da greve marca bem a oposição ao prefeito Allyson Bezerra. Antes com alguns nomes que se destacavam na Câmara Municipal, a exemplo dos vereadores Francisco Carlos (Avante), Toni Fernandes (Solidariedade) e Pablo Aires (PSB), o chefe do Executivo Municipal firmou posição contra o PT local, que notadamente detém maior presença no Sindiserpum e tem como uma das lideranças a vereadora Marleide Cunha (PT). 

A greve pode finalizar com o placar de 1 a 0 para o prefeito de Mossoró. Isso porque os professores conduziram um movimento de mais de 50 dias e ao provável final, que deve ser deliberado em assembleia da categoria, não obtiveram nenhum ganho real com a paralisação. O principal ponto de pauta era o reajuste do piso do magistério, cujo aumento foi aprovado em 2023 para 14,95%. Nenhuma proposta de pagamento desse valor foi apresentada durante as audiências entre Prefeitura e sindicato. 

A Prefeitura sustentou desde o início, inclusive com ampla divulgação nas redes sociais e vt na programação de TV aberta, que já pagava o piso. “A Prefeitura de Mossoró paga o piso?! Paga muito mais!”, dizia o texto oficial. A vereadora Marleide Cunha até tentou ecoar a resposta contrária, mas não foi ouvida pelo Executivo. 

Nas redes sociais os professores ocuparam bem os perfis oficiais da Prefeitura de Mossoró. Sempre aguerridos, respondiam em todas as publicações com críticas à condução da greve e respondendo sobre o desrespeito ao plano de cargos da categoria. 

A movimentação saiu também do online. Foi às ruas com manifestações em frente ao Palácio da Resistência e até um velório com cortejo fúnebre, uma sátira ao programa Mossoró Cidade Educação, lançado pela secretaria de Educação. 

A questão é que muito foi dito e a resposta não veio. Os professores saem da greve sem qualquer ganho, inclusive terão que repor os dias letivos, conforme determina o calendário escolar do Município. 

Ao final apenas uma questão ficou mais nítida: a oposição ao prefeito é de Marleide Cunha, do PT. E essa posição deve ter repercussão nas eleições de 2024, que estão logo ali. 

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